quinta-feira, 29 de maio de 2008

Em honra de todos os “Gatos Esquecidos”







Mariana



Aiko



Gil e Gui



Saki



A minha primeira gata, enquanto jovem independente e emancipada (já que o primeiro gato que tive foi mesmo aos 7 anos, em casa da minha mãe), era anã, velhinha, completamente desdentada, com o pêlo áspero e sofria de problemas de rins e diabetes. Nunca se deixava pegar e apenas se aninhava no meu colo quando começou a ficar muito doente.
Viveu comigo apenas durante 1 mês, até ter tido que ser eutanasiada há 3 anos atrás.
Apelidei-a de Amélie e, para mim, era a gata mais bonita do mundo!!

Quando entrei pela segunda vez no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, foi-me explicado que a associação de protecção aos animais que trabalha directamente em parceria com esta instituição apenas retira de lá para as suas campanhas de adopção os animais mais “bonitinhos” e que não sejam “selvagens”.
Nesse mesmo sábado, ao aproximar-me de uma cela para retirar de lá uma gata cinzenta e branca, um magote de 5 ou 6 gatos/as pretos ficou especado a olhar para mim do outro lado da mesma cela. Uma das gatas pretas esticou-se toda e com a sua pata (com as unhas para dentro) tocou a minha mão apoiada nos ferros da cela, como que pedindo ajuda para sair dali. Naquela mesma cela estavam “alojados” os supostos “gatos selvagens”.
Por mais dias que viva, é uma cena que jamais irei esquecer!

A beleza tem muito que se lhe diga, e é um conceito bem relativo para cada um de nós!
De facto, tal como cada pai ou mãe acha que o seu filho é o mais bonito e engraçado, mesmo que para o resto do mundo ele seja gordo e anafado, tenha um nariz de macaco e seja peludo; também no caso dos animais de estimação este conceito é fortuito.
Pena que nem todas as pessoas consigam alhear-se dos estereótipos de beleza criados pela sociedade em que vivemos, e continuem a transpô-los para as adopções que fazem de gatos e cães!
Porque como diria alguém que muito bem escrevia, “o essencial é invisível aos olhos”!









10 comentários:

Anónimo disse...

Lembrei-me agora de um cão que foi adoptado por uns vizinhos meus, que entretanto nunca os vi!
Esse cão era lindo! Lindo porque tinha os olhos mais doces e meigos que já vi! O cão praticamente não andava, apesar de ser muito novinho! Tinha nascido com um deficiência nas patas traseiras! Eles ficaram com ele! Rafeiro, deficiente e lindo!!! Bem hajam "vizinhos"!!!!

Sabes que em relação à associação em quase, e por muito que te choque, eu até percebo a atitude! Não me parece que essa selecção seja feita de animo leve! Quero acreditar que seja a forma de pelo menos salvar os que podem facilmente são adoptados!! É obvio que revolta! Mas a culpa é nossa!! É sa sociedade no seu todo!!! Se somos "esquisitos" com pessoas diferentes, imagina com animais!!

A mim não me choca as diferença! Mas sou eu! Tanto nos 2 patas como nos de 4, pouco me importa o aspecto fisico ou cor, ou raça, ou credo! Mas nem todos nós tivemos uma educação aberta de preconceitos!!!
O "meu" 1º cão não tinha uma pata!! E depois.....era o preferido da familia, a minha!!

Eu tive um afilhado que andava, não com as pernas mas numa cadeira de rodas! Tinha algum "atrasado"!! E depois?!?! Não deixava de ser apenas mais uma criança, com birras, que caprichos, com bricadeiras da idade!!! Nunca deixou de ser meu afilhado/primo por causa disso!!!

Hoje, esse é um dos valores que eu quero passar à Pulga!!! Não pretos ou brancos, há senhores e senhoras! E tudo começa assim!!!

O mundo dos blogs mostrou-me que felizmente há muitas mais pessoas como nós!! E isso é tão bommmmmmmm!! Ainda falta tanto, mas sei que vamos aprender a respeitar sem olhar as diferenças!

Beijocas às 2!

Cecilia disse...

"Esquecidos" mas muito amados e bem tratados, não só por mim e por ti,alexa, mas também pela equipa veterinária que nos tem ajudado desde o início desta história em que mais uma vez o ser humano foi o responsável!
Nesta fase das suas vidas tem sido muito importante sentirem-se seguros, tranquilos e de barriguinha cheia e saberem que ninguém lhes fará mal.

Quando aos 7 anos me pediste um gatinho e uma colega me disse que tinha 1 tigrado para dar, percebi algumas reticências... já nessa altura esta senhora sabia como estes animais são olhados.

Cresci com uma gata preta, da minha avó, que nem sequer permitia que eu me aproximasse da dona, desde que estivesse ao seu colo.
Um dia, arranhou-me toda só porque, inadvertidamente, lhe pisei a cauda. Não foi por isso que fiquei com traumas ou deixei de gostar de gatos de qualquer cor.

E não, não estou a fazer qualquer promoção a gatos pretos/tigrados (deixo para algumas associações que o fazem!)... é simplesmente o que sinto.

Anónimo disse...

Costumo dizer que adoptei os meninos que ninguem queria. Sim digo meninos porque os tratamos como nossos filhotes. Todos estavam abandonados, na rua. Uns feridos, outros bebès em vias de morrerem atropelados. Mas são os meus meninos, lindos como eles sabem ser. Quando conheço casos em que os animais têm ou ficaram com problemas, são esses que eu e o Daniel gostariamos de trazer tb para casa. Infelizmente ( e custa-me mesmo muito ) não os posso trazer.Tenho um cão com três patas que é um castiço, meigo e malabarista que só visto, no entanto se não tivesse ficado com ele o seu destino seria a eutanasia. A Margarida, uma linda gata tigrada, tem uma doença auto-imune a qual a obriga a tomar medicação para o resto da sua fragil vidinha(tanta que no inicio tivemos que fazer um esquema para nos orientarmos ). Tem 4 anos e só pesa 2 Kg, tem a boca contanstemente em ulceras e no ultimo mês teve que usar fralda, mas é o nosso miminho. Fora estes temos mais 4 meninos e meninas, todos encontrados em situações complicadas. Não entendo as pessoas que apenas querem ter animais de certa raça ou cor, não percebo isso, fico indignada quando me pedem para arranjar determinado animal mas com certos requisitos de cor ou forma, já para não dizer quando me dizem que preto é que não pois "dá azar". Tentar transmitir a mensagem da não descriminação é muito difícil, ás vezes impossivel ( pois tal como a sónia, se com as pessoas é como se vê,,com animais então...). Mas há que continuar a defender estas criaturas lindas que considero muito mais do que certas pessoas.

Um bjo

Dora

Alexa disse...

Sónia: muito obrigada pelo teu comentário!
É sempre bom saber que ainda há pessoas que tentam passar aos seus filhos valores tão importantes como a não discriminação, seja nos humanos ou nos animais!

Quanto ao critério da associação é que me continua a chocar e muito, digam-me o que disserem!
Sim, é a lei do salve-se quem poder e se conseguirmos salvar pelo menos um sempre é bom!
Pena é que nas listas que a dita cuja associação faz (de escolha de animais do Canil/Gatil para as campanhas de adopção) não conste sequer, por exemplo, um gato como o Garfield (que a tua amiga Mariana adoptou), laranja, lindisíssimo e hiper meigo. Porque será? Discriminação? Provavelmente porque veio de um simples quintal e estaria mais imundo, cadavérico e doente do que, por exemplo, o siamês de olhos azuis que aqui há um ano atrás nem sequer 8 dias lá esteve.
Curioso, não é, Sónia?!
Parece que, afinal, para além da dicriminação de cor, tal como no caso dos humanos, há também a discriminação de classe social.

Sim, de facto a culpa de tudo isto é de todos nós!
Lamentavelmente, jamais deveríamos continuar a pensar assim, pois contribuiremos para perpetuar essa mesma discriminação em relação a alguns gatos.
Eu prefiro sempre dizer que, se todos fizessem um pouco no que está ao seu alcance, talvez, muita coisa mudasse nas mentalidades deste país... mas dá muito trabalho mexer as perninhas e mais vale ficar de braços cruzados a ver os outros fazer alguma coisa e, simultaneamente, bater muitas palmas públicas e dar-lhes pancadinhas nas costas!

Alexa disse...

Cecília: essa gata preta era a famosa Charmant?

Cecilia disse...

alexa: a Charmant cruzou-se comigo alguns anos mais tarde. Era preta e branca, lindíssima e muito meiga. Foi baptizada por mim e até me deixou vestir-lhe um vestido de uma das minhas bonecas...

A gata preta da minha avó chamava-se Boneca. Curioso como continuam a haver "Bonecas" nas nossas vidas, não é?

Alexa disse...

Dora: muito obrigada pela partilha do teu testemunho tão importante!
Pena que não haja mais pessoas como tu e o Daniel, pois o mundo seria um lugar bem diferente (e melhor), para se viver!
Em casa da minha mãe também sempre foi assim: adoptávamos os gatos que sabíamos que mais ninguém iria querer.
Se calhar sou eu que não sou normal, mas por sempre ter convivido com animais deste tipo (e saber como eles nos ficam agradecidos), é que me continua sempre a chocar certo tipo de atitudes das pessoas em relação aos animais e às suas preferências estereotipadas.
Acho muito importante continuar a tentar transmitir essa mensagem da não discriminação, seja nos humanos (o que já faço diariamente no meu trabalho), seja nos animais (o que espero continuar a fazer agora que este caso me bateu à porta).

P.S. - Muito obrigada pela ajuda que nos irão enviar, Dora & Daniel!

Alexa disse...

Cecília: é bem verdade!
E, no teu caso, mais uma Boneca preta ;)

Maria disse...

Acredito que todos os seres humanos têm um lado bonito, ainda que por vezes não se consiga encontrar... Mas, quanto aos animais, acredito que são todos bonitos de uma forma ou de outra! Apenas atacam por defesa ou necessidade e nunca pelo prazer de atacar, o que os distingue do ser humano...

O meu primeiro gato, era FELV positivo. Ficámos com ele ainda assim, sem pensar duas vezes. Morreu demasiado jovem, mas nada apaga tudo o que nos deu. O segundo, um gato recolhido das ruas, era o gato mais feio que alguma vez vi! Mas ficou. Apenas nos importava dar-lhe um lar, amor e uma família. Hoje, é um gato lindo, pelo menos para mim! Mas se não fosse, amá-lo-ia da mesma forma.

Quem ama, não olha às imperfeições, beleza, doenças!...

Infelizmente, a maior parte das pessoas não sabe amar!

Beijinhos para as duas!

Alexa disse...

Maria: pena que nem todos os humanos sejam como tu... pois o mundo seria um lugar muito mais bonito para se viver!...