quarta-feira, 30 de abril de 2008

Bebé constipado






Desde 2ª feira reparara que um dos filhotes da Saki andava a fazer um ruído esquisito, como que uma espécie de tosse ou irritação quando os manos e primos não o deixavam mamar.
O Vet. disse-me que poderia ser uma má fomação no céu da boca, com que nascem alguns gatos.

Esta tarde, quando reparei que esse bebé continuava não só a fazer o mesmo barulho, como também parecia estar todo babado e não mamava, decidi ligar novamente ao Vet., que me pediu para o levar lá para observação.
Acho que nunca me pus tão rapidamente naquela clínica como desta vez!...

Diagnóstico: o bebé tem muito liquído nas fossas nasais. Provavelmente provocado por uma constipação ou, até mesmo, pelo facto de a própria mãe ter estado bastante doente.
O Vet. injectou-lhe soro fisiológico pelas minúsculas narinas e aconselhou-me a fazer o mesmo 3 vezes ao dia.

Desde esta tarde, o bebé passou também a ser alimentado via biberon, já que, como está mais enfraquecido, os outros filhotes não o deixam mamar.





Muito obrigada à Rute, Sónia e à Teresa pelos links que criaram nos seus blogs, para nos ajudar a arranjar donos em condições para estes gatinhos!





terça-feira, 29 de abril de 2008

2 semanas



Os 5 filhotes da Aiko fazem hoje 2 semanas (nasceram dentro do Canil/Gatil Municipal de Lisboa e, como que por milagre, conseguiram todos sobreviver)!...

Ao vivo e a cores, as respectivas apresentações (apesar de eles ainda serem muito pequerruchinhos para percebermos exactamente como irão ficar, e de a máquina fotográfica ser "substituta"):



1)- O "laranjinha" (como o pai), a quem alguém já apelidou de Simba... apesar de não podermos nomear os mais pequenos, quando não criamos laços afectivos e é muito mais difícil vê-los partir.




2)- O "cinza/branco" de belo focinho cinzento.



3)- O que parecia todo cinzento... e, afinal, também é branco e tem ar de bonequinho de peluche.



4)- A tigrada/tartaruga, escondendo os seus belos olhos de chinesinha.



5)- A tartaruguinha cheia de personalidade, que dá grandes sovas nos irmãos e primos, para conseguir ser a primeira a comer.




Uma família sempre muito unida!

É impressionante o que estas 2 gatas têm feito por estes filhotes.
Vinham completamente esquelécticas e desidratadas (como ainda dá para ver na última foto, apesar de já se andarem a alimentar muito melhor), mas só comem quando vêem que os seus filhotes estão a dormir.
Depois aninham-se juntas, normalmente em círculo, e dão-lhes de mamar. Quando alguma está mais cansada, a outra chega, encosta-se a ela e dá a sua barriga aos filhos de ambas.

Já lhes ganhei a confiança e deixam-me fazer festas aos filhose e a elas próprias, varrer a maternidade e mudar o areão sem me bufarem ou o que quer que seja.
Mas, apenas ontem, pela primeira vez, me deixaram retirar cada um dos seus bebés e mudar a manta em que se tinham instalado (que já estava bem suja de areão).




Muito teria o Homem que aprender com os animais, se estes falassem... ou se o próprio Homem prestasse mais atenção aos seus comportamentos!




Mariana





A gatinha preta com olhos amarelo/esverdeado, um pouco maior que o Gui, muito introvertida, assustada e triste.
Foi a que me preocupou mais: durante vários dias manteve-se neste sítio. Se lhe tentava tocar escondia-se.... enquanto o Gui e a Rita iam logo comer, a Mariana mantinha-se indiferente... descobri que só comia à noite.
Com o passar dos dias foi acalmando, passou a dormir com os manos, e um dia quando pensava estar a fazer festinhas ao Gui, olhei para os olhitos curiosos que me fitavam e.... era a Mariana!
Ontem à tarde tive uma grande surpresa: tinha abandonado o seu esconderijo e estava calmamente deitada na cama perto da janela, onde batia o sol.
Veio comer com os manos e ficou muito tempo a observar as traquinices do pendura Fofinho, que do lado de dentro tentava brincar com ela. O Fofinho andava louco com um fio e a Mariana não parava de o observar. Hoje deixei ficar outro fio na varanda, pode ser que se entusiasme.


segunda-feira, 28 de abril de 2008

Gui





O Gui é o gatinho mais pequeno (em tamanho) dos que estão comigo.
Preto com uns pêlos brancos no peito e com uns belos olhos verdes. Tem umas partes acastanhadas que me parecem ser queimadas pelo sol, ou até da má alimentação que todos estes animais tiveram até agora.
Foi o primeiro a estar mais à vontade, o que tem sido óptimo para a Rita e para a Mariana, "obrigando-as" a confiar mais em mim.
Nos primeiros dias, quando lhe fazia festas, todo ele estremecia. Agora não: recebe-as e até fecha os olhitos.
É o que come melhor; quando lhe levo os pratinhos, corre para a comida, logo seguido da Rita.
Quando lhes preparei o espaço em que estão levei-lhes uns ratinhos, mas nunca pensei ver o Gui tão rapidamente a brincar.... a agarrá-los com a boca e a atirá-los ao ar.
É impressionante como um gato nascido na rua, sem nunca ter sentido, nem tido, qualquer conforto descobriu as delícias de uma almofada!



Rita






Uma gatinha muito triste, magrísssima, mas muito bonita com o seu tigrado especial.
No dia em que chegou a minha casa escondeu-se debaixo de uma mesa, toda encostada à parede, como se quisesse atravessá-la. Recordações, sem dúvida nenhuma, dos 8 dias que passou dentro da jaula no Canil/Gatil da CML.
Quando lhe tentava fazer festas, não bufava, não me tentava arranhar... encolhia-se dentro da transportadora cheia de medo, como se estivesse à espera que algo de mal lhe acontecesse.
Aos poucos, muito apoiada no mano Gui, e com muita persistência e carinho, começou a receber as minhas festas sem medos e até já lhe consegui limpar os olhitos.
O mais impressionante é que nenhum destes três gatos que nunca tinham utilizado um WC, aprenderam rapidamente e nunca fizeram as necessidades fora, o que vem contrariar muitas outras opiniões sobre gatos de rua....


domingo, 27 de abril de 2008

Um agradecimento muito especial...




... à Sónia & Tiago (bem como ao meu afilhado), pelos contributos em ração, "petisquinhos" e areão que nos trouxeram hoje!






sábado, 26 de abril de 2008

Mais uma morte...




O bebé "pendura" pretinho faleceu esta madrugada.
Às 02h00, quando fui à maternidade improvisada, para lhe dar biberon, encontrei-o inerte, com aquela expressão horrível (a que, tragicamente, já tive que me habituar) no pequenino rosto.
A Aiko tinha uma das suas patas dianteiras por cima dele, como se o estivesse a tentar aquecer.

Às 00h00, tive-o, pela última vez ao colo, quando lhe dei biberon sentada no sofá, com a Yoko ao meu lado.

Já não aguento mais mortes!...






A ninhada da Saki fez hoje 1 semana de vida.
Dos 4 filhotes a quem tive que cortar o cordão umbilical, apenas 3 sobreviveram: 1 preto, 1 cinza/branco e 1 tigrado/branco.







Rita
(fotografia de CCarril)



O que mais me impressiona nestes animais, apesar de já estarem bem mais calminhos, é o olhar triste que todos eles possuêm...
Já antes, quando os via nos quintais, pensava o mesmo... mas agora, essa tristeza no olhar acentuou-se ainda mais... como se as condições de manutenção em cativeiro no Canil/Gatil os tivessem deixado assim traumatizados.

A partir de hoje, a Cecília junta-se a mim neste blog, para falar mais em particular dos 3 gatinhos dos quintais que estão com ela: o Gui, a Rita e a Mariana + do "pendura" Fofinho.





(fotografia de CCarril)



O Fofinho, gatinho do parque de estacionamento, foi esta manhã castrado.
Tem cerca de 8 meses, segundo o Vet. É super brincalhão, hiper meigo... e encontra-se para adopção.






sexta-feira, 25 de abril de 2008

O "pendura" pretinho






O "pendura" pretinho não fazia parte do grupo dos 7 gatos dos quintais salvos do Canil/Gatil Municipal de Lisboa. Veio cá para casa por intermédio do Vet.
É minúsculo quando comparado com os filhotes da Aiko e da Saki, devendo ter, apenas, uns 5 dias de vida.
Apesar da Aiko e da Saki não o terem rejeitado, tem estado a ser alimentado de 2 em 2 horas a biberon, dado que os filhotes mais matulões não o deixam mamar em condições.
A correria da minha parte tem sido imensa, para conseguir cumprir à risca esta minha nova tarefa de mãe-substituta.

A Aiko consideravelmente mais magra do que a Saki (pois teve que amamentar ambas as ninhadas, quando esta última esteve doente), pareceu-me, também, um pouco mais abatida... mas poderá ser apenas cansaço.
Felizmente, tem estado a comer muito bem o alimento dietético da Royal Canin para recuperação durante a convalescença, aconselhado pelo Vet.

Filhotes, mães e Yoko tiveram hoje a sua primeira visita oficial à maternidade.
Muito obrigada Sónia & Tiago e Raquel!

Um agradecimento muito especial à Teresa, dos "Dias que Voam", pelo seu atencioso contributo financeiro, que será utilizado para complementar o que já juntámos para a castração do Gui (o gatinho preto anão que ficou em casa da minha mãe com as gatas Rita e Mariana), no decorrer da próxima semana!




Yoko



24/04/08





A Yoko foi esterilizada ao final da manhã de hoje. Correu tudo bem.

Quando chegou a casa, escondeu-se atrás do sofá... nem sei bem como o conseguiu, com o colar que tem a envolver-lhe a cabeça.
Mais tarde, fui dar com ela deitada no sofá. Já ontem à noite, quando tive que a deixar em jejum (por causa da operação) e ela miava desesperadamente, me pareceu que tinha acabado por sossegar no sofá.

E é isto uma gata de quintal que, supostamente, para algumas pessoas aqui do bairro (e muitas outras de associações zoófilas), nem sequer se deixava apanhar por ser brava!...

A Yoko agradece à Mónica (dona do Matias) pelo contributo financeiro que ajudará a pagar a sua esterilização.
Muito obrigada do fundo do coração, Amiga!

Entretanto, o bebé preto que veio como "pendura" continua a ter que mamar no biberon, já que os matulões da ninhada da Aiko e os endiabrados filhotes da Saki disputam vigorosamente o melhor lugar para mamar.

Hoje foi a vez do Homem que transportava ao peito uma constelação de Estrelas lhe dar de mamar com biberon... e o jeitinho é inegável!
Muito obrigada, H.!




O novo "Pendura"... e o bebé que partiu



23/04/08


O Vet. ligou-me esta tarde a informar que a Yoko poderá ser esterilizada amanhã de manhã.
Ainda não sei bem como a irei conseguir retirar debaixo do sofá e enfiar dentro da transportadora, mas isso é outra história!...

Entretanto, parece que alguém terá deixado na Clínica Veterinária um gatinho bebé preto, ainda em fase de amamentação, ferido numa das patinhas traseiras e na cauda, encontrado no meio da rua em risco de ser atropelado.
Como as "boas acções nunca terminam" (palavras do Vet.), pediu-me se haveria possibilidade de o juntar às 2 ninhadas e 2 gatas-mães.
Claro que não iria recusar, não é?!

Final da tarde, passagem pela Clínica para ir buscar o pequerrucho, com uma história rocambolesca à mistura (sobre alguém que queria adoptar o animal e depois, afinal, já não queria).
As histórias rocambolescas têm imperado nestes últimos dias... com uma situação indescritível, passada ontem, com a Dª. L., a senhora que, supostamente, alimentava os 7 gatos que foram parar ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa.

Regresso a casa, e, quando abro a maternidade-improvisada, vejo o bebé tigrado da Saki (a quem cortara o cordão umbilical no sábado) de barriga para o ar imóvel, fora da manta onde as gatas-mães e os irmãos e primos se encontram.
Pego-lhe com muito cuidado e a Saki, cada vez melhor da contipação e mais protectora dos seus filhotes, bufa-me. Junto-o à ninhada, mas ele continua sem se mexer, apesar de ainda estar vivo.

Aproveito para juntar o "miúdo" novo às ninhadas, que, depois de ser (bem) cheirado pela Saki, acaba por ser bem aceite por todos. Apenas destabiliza um pouco o ambiente de tranquilidade geral porque não pára de miar, como se ainda não tivesse percebido que já está perto de uma família felina. Por fim, começa a mamar na Saki.

Quando termino os afazeres diários domésticos e regresso à maternidade-improvisada, o filhote tigrado da Saki já falecera, junto dos irmãos.

Não consigo deixar de sentir que poderia ter feito mais por ele e que, de alguma forma, posso ter tido culpa do que aconteceu... apesar de, por outro lado, já me ter apercebido que parecem ser as gatas-mães que, propositadamente, afastam para longe os filhotes mais fracos.

Começo a sentir-me a fraquejar emocionalmente!...
Nunca lidei muito bem com a ideia de morte, seja nos humanos ou nos animais. No entanto, depois da experiência da morte da ninhada preta/branca, começo a não conseguir sequer lidar com o facto de que tenho que ser eu própria a retirar o animal morto, embrulhá-lo e fechá-lo num saco para, mais tarde, ser incinerado...
Não é sequer uma questão de me sentir afeiçoada àqueles animais (como sucederia - sucedeu já - no caso de um animal de estimação de longa data), mas antes o ter sentido aquele pequeno ser vivo tão frágil nas minhas mãos e, de um momento para o outro, tê-lo novamente nas mãos mas morto.




Os outros Gatos salvos



22/04/08



Gui (preto) e Rita (tigrada)


Mariana


Fotografias de CCarril









Garfield na casa nova


Fotografias de Mariana B.






Maternidade Colectiva




22/04/08




O antibiótico de ontem parece ter resultado: a Saki voltou a amamentar, revezando-se com a Aiko.
Yoko saíu debaixo do sofá, comeu e não parava de miar à procura das irmãs.

A ninhada da Aiko fez hoje 1 semana de vida.




Fofinho, o gatinho do estacionamento: PARA ADOPÇÃO



21/04/08




O Fofinho foi encontrado pela minha mãe no sábado à noite (19/04/08), num parque de estacionamento ao pé de sua casa (não nos bastava já o que temos passado com os restantes 6 dos quintais!).

Andava de um lado para o outro atrás de quem por ali passava, olhando para os carros completamente desnorteado, miando alto e bom som.

A minha mãe não conseguiu resistir a ver ali o animal naquelas condições e foi dar-lhe comida.
O Fofinho saltou-lhe para os braços, como se estivesse a pedir que o levassem dali.

O Fofinho, muito provavelmente, acabara de ser abandonado naquela zona não só devido às suas reacções, como também pelo facto de ainda se notar no pêlo do seu pescoço as marcas de que tivera uma coleira.

É um gato muito jovem e brincalhão, que gosta de dar aqueles miados de mimo, como se estivesse a falar connosco.

O Fofinho encontra-se para adopção.
Mas só será entregue a um eventual dono que saiba que a adopção não é um acto de ligeireza, e que temos que nos responsabilizar pela vida e bem-estar do animal.

Para mais informações contactar:
Cecília Carril
91. 423 06 69
carril.cecilia@gmail.com



A recuperação de Saki




21/04/08


Depois de ter passado a tarde de Domingo a ligar ao Vet., preocupada com o estado de saúde da Saki, que me parecia deteriorar-se cada vez mais…
E de ter passado esta manhã completamente em stress, só de imaginar como estaria a gatinha quando chegasse a casa ao fim do dia…
O Dr. PP. veio esta noite dar-lhe uma injecção de antibiótico. E a Saki, veloz como uma gazela, e ainda assustada com os 8 dias que passara fechada no canil/Gatil, conseguiu fugir para trás do sofá com uma seringa espetada no dorso. Felizmente, conseguimos controlar a situação e a Saki lá ficou meio rabugenta, ao lado do sofá a olhar para nós.

Entretanto, como me tornei mãe a tempo inteiro (apenas a Aiko tem estado a amamentar, pelo que tenho que orientar as mamadas das 2 ninhadas, controlando que os mais novinhos o consigam também fazer e não levem uma estalada da tartaruguita cheia de personalidade - filhota da Aiko) e estava preocupada com o estado de saúde da Saki, esta noite tive que recusar jantar com um casal de amigos (que vieram de férias da Tunísia, com muitas imagens de gatos na bagagem e nas cartas) e o H.
As minhas sinceras desculpas, Amigos! Mas fica combinado que têm que vir conhecer a Creche-felina ;)

Ao final da noite, a Saki regressou à maternidade improvisada.
Curioso, como em termos comportamentais, os animais se apercebem quando não se sentem bem, afastando-se dos filhotes, provavelmente para não os contaminar.


Um agradecimento muito especial à T., dos "Dias que Voam", pelas suas palavras amigas e todo o apoio dado, aqui!



Dia de Nomear




20/04/08



Hoje foi dia de nomear...
Porque eles são muitos e quase todos de um tigrado idêntico (ou não fossem irmãos), e isto começa a ser uma grande baralhação falar da 1ª gata, da 2ª gata e da 3ª gata. E, assim, sempre é mais fácil entendermo-nos!...

Escolhi, estrategicamente, nomes japoneses, para ver se trazem melhores augúrios e sorte a estes pobres animais...



"SAKI" (咲希) - na foto a amamentar dentro da transportadora -, foi a primeira a sair do Canil/Gatil Municipal de Lisboa, a 16/04/08... por isso mesmo achei que os termos 咲 (SA) "renascer" e 希 (KI) "esperança" se lhe aplicavam muito bem.

A Saki esteve a manhã toda a amamentar os seus 4 filhotes. Mas, a meio da tarde, saíu da maternidade-improvisada e pôs aninhada a um canto, em cima de uns panos.

Como os seus bebés ficaram sozinhos resolvi aquecer um saco de água quente e colocar-lhes debaixo da manta, com muito receio de que pudesse vir a suceder o mesmo que à ninhada que falecera nas minhas mãos a 19/04/08.

Felizmente, os animais, em muitas coisas, são bem mais espertos do que nós humanos!...
E nem meia hora tinha passado, já um dos filhotes "abandonados" da Saki corria cegamente (os gatos recém-nascidos possuê ainda os olhos completamente fechados) em direcção à 1ª gata mãe...




A 1ª gata-mãe acolheu no seio da sua ninhada de 5 filhotes (com 5 dias a esta data) os 4 rebentos que a sua irmã Saki deixara para trás (com 1 dia apenas) - tal como já dera de mamar à ninhada falecida no sábado.

"AIKO" (愛子) - 愛 (AI) "amor, afeição" e 子 (KO) "criança" - pareceu-me um nome mais que apropriado para esta verdadeira "mãe coragem".

Finalmente, para a 3ª gatinha, que ainda não se deixou vislumbrar lá muito bem...
"YOKO" (陽子) - 陽 (YO) "sol, claridade" e 子 (KO) "criança". A ver se lhe concede menos receio, para que deixe de estar escondida.




Ao final da tarde comecei a ficar mesmo muito preocupada com a Saki, pois, para além de estar apenas pele e osso e ter deixado de amamentar, encontra-se muitíssimo constipada e prostrada.
Depois de tudo aquilo por que já passámos, começo a ter muito receio pela saúde desta gatinha de olhos amendoados tristes.



Mais fotos aqui.



Um dia de emoções à flor da pele




19/04/08



Na ninhada da gatinha tigrada/tartaruga (retirada do Canil/Gatil Municipal de Lisboa a 17/04/08), a qual nascera a 15/04/08 já dentro do Gatil, composta por 8 bebés (o 9º ficara já sem vida no consultório do veterinário municipal), 3 dos bebés estavam mais enfraquecidos e o Vet. que nos tem acompanhado aconselhou a dar-lhes biberão.

Depois da correria de ontem ao final da tarde, para conseguir comprar o último dos biberões para animais recém-nascidos que existia na loja (já fechada, mas cujo dono foi impecável ao abrir-me a porta), alimentei 2 dos bebés conforme aconselhado.
É uma sensação verdadeiramente impressionante ter nas nossas mãos aqueles seres minúsculos, ainda em formação, procurando com as suas pequenas boquinhas a tetina do biberão!

Infelizmente, esta manhã, os 3 bebés mais fracos (2 pretos/brancos e 1 preto) acabaram por falecer junto à gata-mãe.
Mais tarde viríamos a perceber que, muito provavelmente, esses bebés (juntamente com o que já havia falecido no Canil) não pertenciam à ninhada desta gata, mas sim à da gata preta que saíra no mesmo dia que ela.
Infelizmente, no meio da agitação da saída dos animais, de os deixar na clínica veterinária para observação e de todos os nervos à mistura perante uma situação deste tipo, nem nós nem o Vet. nos apercebemos desse facto (algo pelo qual hoje me tenho sentido bastante culpada!)… e a pobre gata-mãe (adoptiva), quase esquelética, desidratada e de estatura muito reduzida, também não conseguiu amamentar tantos animais (só seus tem 5).

O suplício maior para mim foi ter que retirar os corpos dos 3 bebés da maternidade improvisada… embrulhá-los em 2 toalhas pequenas brancas e fechá-los dentro de um saco… quando, na véspera, estivera a alimentar dois desses pequeninos seres a biberão nas minhas mãos.





A tarde foi passada novamente no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, acompanhando a Mariana, que decidiu que iria adoptar o gato amarelo/laranja que permanecia prostrado apaticamente na cela 13, onde 4 dos animais que retirámos e a ninhada também (sobre)viveram durante 8 dias.

Uma tarde muito triste, em que me encontrava completamente desnorteada com tudo o que já se passara e com uma dor bem profunda cá dentro… sobretudo, quando tive que depositar os pequeninos corpos dos 3 bebés no carrinho de mão que se encontra à entrada do Canil/Gatil Municipal (nunca lidei lá muito bem com o conceito de morte, seja a de animais ou pessoas)…
Animais que nasceram ali dentro, e ali tiveram que regressar para ser cremados… triste ironia do destino, que apenas tenham conhecido a liberdade durante 1 dia!

Aquando da consulta com o veterinário municipal, curiosamente, acabamos por saber que, também, aquele animal havia sido capturado fruto da queixa que alguém fizera contra os gatos dos quintais das traseiras do meu prédio (algo que não nos havia sido dito quando ali estivéramos no domingo passado).
Mais curiosa ainda se torna toda esta história, quando nos apercebemos que, contrariamente aos 6 outros gatos já retirados do Canil/Gatil, este amarelo/laranja é de uma meiguice e doçura que quase evidenciariam ter-se dado com pessoas. E é então que relembro a história do casal de idosos (falecido este ano) que construíra uma barraca no seu quintal, para proteger os gatos… E fico a pensar que, talvez, aquele animal tivesse uma convivência diferente com estas pessoas.
E, afinal de contas, tudo parece ter uma ligação e encadear-se: uma história sobre gente bondosa, que me tocara particularmente; e acabar por ter que salvar os animais que eles próprios protegeram… todos eles, mesmo o que ficara sozinho na cela.

Uma tarde, no entanto, recompensadora, quando vi os olhos radiantes da Mariana e os miados de mimo do gatinho amarelo/laranja, ao partirem.

Muito obrigada do fundo do coração, Mariana, pela nova vida (mais feliz) que vais dar a este gatinho!
Um grande obrigada, também, à
Sónia… pois, se não fosse através do blog dela, nada disto teria sido possível!





Ao fim da tarde, a 1ª gatinha que saíra do Canil/Gatil a 16/04/08 e se encontrava grávida, acabara de parir... ao lado da sua irmã tigrada/tartaruga e da ninhada desta.
No entanto, como a gatinha é muito nova, não sabia lá muito bem o que fazer, tendo deixado 2 dos recém-nascidos no canto oposto da maternidade-improvisada ainda com o cordão umbilical preso à placenta.
Peguei cuidadosamente nos recém-nascidos e coloquei-os estrategicamente próximo das 2 mães, para que a mais nova se apercebesse do que deveria fazer. Meia hora passada e nada, e os bebés afinal eram 4, mas a gata-mãe só se interessava por amamentar e mimar um deles.
Com a grande complicação, apercebi-me mais tarde, que a nenhum dos 4 ela cortara o cordão umbilical.

E eu, que nunca me vira metida nestas andanças, e apenas assisti uma vez a um parto felino (duma gata saudável que viveu em casa da minha mãe), acabei por ter que, de acordo com indicação do Vet., cortar o cordão umbilical aos 4 recém-nascidos e tratar de retirar da maternidade as placentas.
Não sei bem onde fui buscar forças para tudo isto (talvez ao facto de, na véspera, ter estado a alimentar 2 seres que, mais tarde, viriam a falecer)... mas posso dizer-vos que não é uma tarefa nada agradável!

Como, entretanto, esta 2ª gata-mãe já abandonara a meternidade, continuando a não perceber como deveria agir, tive que a fechar dentro de uma transportadora com os 4 filhotes.
Umas horas mais tarde, já estava a amamentá-los... e coloquei-os novamente na maternidade.

Cheguei ao final do dia de rastos de cansaço... e a pensar que, pelo bem da minha saúde, não me deveria meter neste tipo de coisas... mas é sempre mais forte do que eu!...




Ponto de situação sobre os 6 gatinhos dos quintais...




18/04/08



... que foram parar ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa, após uma queixa de alguém que se sentia importunado/a com a presença dos mesmos:


4ª feira (16/04/08)

Saiu a primeira gatinha, que tinha dado entrada no Canil/Gatil a 08/04/08.
É uma gata tigrada, pequenina, lindíssima, de olhos muito grandes e arredondados. Tem o pêlo aparentemente rapado em alguns locais (provavelmente, porque algum dia foi abocanhada pela cadela da Dª. L., que os alimentava).
Está grávida, mas o parto ainda não está para breve. Ontem, ao final da tarde, na Clínica Veterinária, estava muito agitada e foi muito complicado para lhe retirar sangue (a ela e aos restantes animais) para análises pois estavam muito desidratados.


5ª feira (17/04/08)

Estive no Gatil para retirar os 4 gatos que tinham ficado reservados em meu nome no domingo. Uma das gatas estava grávida e teve 8 filhotes (um deles estava já morto, quando fomos atendidas pelo veterinário de serviço) dentro da cela onde se encontrava, no passado dia 15/04/08.

Para além da gata-mãe com os filhotes, saíram ainda: 1 gato preto anão; 1 gata tigrada; 1 gato/a preto (ainda não deu para saber sexo, pois estava muito nervoso).
Ficaram todos na clínica veterinária.

Na 5ª feira de manhã tive que tomar 2 anti-histamínicos, para conseguir voltar a entrar no Canil/Gatil.
Os 4 gatos que trouxemos estavam todos na mesma cela, amontoados (juntamente com os bebés) em cima de um pano que lá colocaram depois da gatinha parir.
Estava com muito receio de não os conseguir retirar, de algum ainda se assustar, e os funcionários do Canil o quererem apanhar de outra forma... Mas, curiosamente, correu tudo com uma grande serenidade: os 2 gatos pretos entraram sozinhos na transportadora e a gata-mãe deixou-me fazer festas e retirar a ninhada toda. Apenas a última tigrada deu alguma luta para entrar dentro da transportadora.

Ainda lá ficou um gato amarelo, lindíssimo e super meigo, que estava com este grupo na mesma cela.
No domingo, esse gato estava afastado do grupo, mas ontem já se enroscava neles (como que procurando refúgio e calor entre os seus semelhantes), lambendo também os bebés.
Fiquei com uma grande mágoa de não o poder também trazer.

O que me continua, cada vez mais, a impressionar nas deslocações ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa é o olhar daqueles animais enjaulados... o seu comportamento em cativeiro.
Apesar de algumas coisas, lá dentro, já parecerem estar a mudar... ainda não é o ideal! Mas sobre isso falarei num outro dia, quando tiver as ideias mais assentes.


6ª feira (18/04/08)

Esta manhã saiu a última/o gata/o. Encontra-se na Clínica Veterinária, para observação.



Como devem calcular, no meio disto tudo, ando com a cabeça completamente feita em água... pois, também, tenho andado com muito trabalho no emprego.
Mas ando a tentar recuperar a tranquilidade (que perdi no dia em que soube o que sucedera a estes animais), para resolver tudo isto com muita serenidade e para que todos estes animais a recuperem também.

Peço muitas desculpas a todos os outros amigos, com quem deixei de manter contacto mais regular e, também, de visitar os vossos blogs... mas, como devem imaginar, não tem sido fácil estar em todo o lado ao mesmo tempo.



Não posso deixar de aproveitar para aqui agradecer publicamente às duas únicas pessoas que, no local em que moro, se preocuparam verdadeiramente com o destino destes animais e não ficaram de braços cruzados: - a C. e a F., que me acompanharam desde o início de toda esta história e foram diversas vezes ao Canil/Gatil retirar alguns dos animais (no caso da F., entrou naquelas instalações mesmo sabendo que isso ainda lhe poderia deteriorar mais a sua saúde).

Agradecer, também, a toda a equipa da Clínica Veterinária que nos tem acompanhado (de uma forma excepcionalmente humana) nesta história: ao P., à MA, à I. e à C. ... porque, sem eles, nada disto seria possível!
Muito obrigada!





Um ano depois... tenho que regressar ao mesmo local




13/04/08



Nunca mais esperei aqui voltar a entrar!...

Infelizmente, por vezes, nas nossas vidas, parece que há situações que já se encontram pré-destinadas (mesmo quando não são desejadas).
E, esta tarde, praticamente, um ano depois da primeira vez que lá fui, regressei... por uma boa causa (e porque, simplesmente, não viveria de consciência tranquila comigo própria, se me tivesse resignado e ficado de braços cruzados!).

Por entre uma infinidade de muitos outros nas mesmas condições de detenção, ali se encontram os 6 gatinhos dos quintais das traseiras do meu prédio...
4 deles na mesma cela, aninhados uns contra os outros, um deles mia de dor (ou, talvez, pânico) quando ouve a nossa voz; 2 gatinhas tigradas em celas separadas, completamente isoladas e sozinhas, enroscadas nos cantos das gaiolas, com os olhos terrivelmente petrificados.

Ficaram "reservados" e, agora, conforme dita o regulamento, teremos que aguardar que se perfaçam os 8 dias de estadia de cada um deles, para os podermos ir indo buscar no decorrer da próxima semana.

Pena que nem todos os indivíduos conheçam este local, pois, certamente, que pensariam duas vezes, antes de abandonar animais ou de os denunciarem para consequente recolha!

Quanto a mim, estou de rastos!...



Como esta história começou...



12/04/08



"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais,
e, neste dia, um crime contra um animal
será considerado um crime contra a humanidade..."


Leonardo da Vinci (1452-1519)







Era a colónia mais ostracizada dos quintais das traseiras do meu prédio, desde que lhes destruíram o telhado do quintal, onde outrora haviam sido protegidos.

Ainda assim, a natureza continuava a seguir o seu ritmo…
E muitos filhotes iam nascendo, crescendo, brincando e tentando sobreviver conforme podiam.

Nas últimas semanas, quando me viam, de manhã, a dar comida ao Misha e ao Mikado, duas gatinhas tigradas empoleiravam-se no muro da minha vizinha de baixo, a miar desesperadas com fome.
Atirava-lhes alguns biscoitos de ração seca, e ali ficavam de focinho no chão a petiscar. Pareciam pequenos ratos magricelas, apesar da Dª. L. também os alimentar no seu quintal.

Desde 4ª feira passada, deixei de os ouvir a miarem de manhã, por debaixo das janelas da Dª. L. Os estores desta encontravam-se fechados desde então. E apenas na 6ª feira à noite vi um dos tigrados mais pequenos a deambular pelo quintal sobranceiro ao da Dª. L.

Esta manhã, informaram-me que a “senhora aleijada”, que mora no R/c ao lado do da Dª. L., tinha chamado os funcionários do Canil/Gatil Municipal de Lisboa para irem recolher os animais.
Vieram em duas fase, segundo me contou a minha vizinha de baixo, e ainda faltaria apanhar um dos gatos (o tal que eu vira na 6ª feira à noite). Colocaram armadilhas com comida no quintal, para os apanharem.
E a Dª. L., não aguentando assistir da sua janela ao triste espectáculo de ver os animais enjaulados a chorarem atirando-se contra as grades para tentarem fugir, partira para casa do seu irmão.

Relembro agora, com muita tristeza, a última vez que falei com a Dª. L., no fim-de-semana passado, e lhe perguntei se não haveria possibilidade de tentarmos esterilizar aquela colónia; tendo me ela respondido que aqueles gatos não se deixavam apanhar...
E a Dª. L. a falar-me do gatinho preto anão, a quem até dera um nome, e queria tentar adoptar, apesar da sua cadela não gostar lá muito de felinos...
E as duas gatinhas tigradas que, empoleiradas no muro do quintal da vizinha de baixo, me começaram a miar todas as manhãs, pedindo comida com um olhar entristecido...

Era a colónia mais ostracizada dos quintais das traseiras do meu prédio...
7 gatos que se tornaram um "incómodo" para alguém que, precisamente, pelo estado em que se encontra deveria ser mais tolerante para com os seres vivos que não se podem defender. Alguém que lhes destruiu o telheiro onde sempre viveram... e que, agora, lhes quis dar a estocada final.

Lamentável que o Homem ainda não tenha aprendido nada com o íntimo dos animais...
Pois saberia, então, que ele próprio é o único ser vivo neste planeta que consegue atraiçoar e fazer mal a outrém com plena consciência racional dos seus actos (o que é terrível, só de pensar que alguém consegue viver de consciência tranquila após ter enviado seres vivos para uma morte certa)!