sexta-feira, 25 de abril de 2008

O novo "Pendura"... e o bebé que partiu



23/04/08


O Vet. ligou-me esta tarde a informar que a Yoko poderá ser esterilizada amanhã de manhã.
Ainda não sei bem como a irei conseguir retirar debaixo do sofá e enfiar dentro da transportadora, mas isso é outra história!...

Entretanto, parece que alguém terá deixado na Clínica Veterinária um gatinho bebé preto, ainda em fase de amamentação, ferido numa das patinhas traseiras e na cauda, encontrado no meio da rua em risco de ser atropelado.
Como as "boas acções nunca terminam" (palavras do Vet.), pediu-me se haveria possibilidade de o juntar às 2 ninhadas e 2 gatas-mães.
Claro que não iria recusar, não é?!

Final da tarde, passagem pela Clínica para ir buscar o pequerrucho, com uma história rocambolesca à mistura (sobre alguém que queria adoptar o animal e depois, afinal, já não queria).
As histórias rocambolescas têm imperado nestes últimos dias... com uma situação indescritível, passada ontem, com a Dª. L., a senhora que, supostamente, alimentava os 7 gatos que foram parar ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa.

Regresso a casa, e, quando abro a maternidade-improvisada, vejo o bebé tigrado da Saki (a quem cortara o cordão umbilical no sábado) de barriga para o ar imóvel, fora da manta onde as gatas-mães e os irmãos e primos se encontram.
Pego-lhe com muito cuidado e a Saki, cada vez melhor da contipação e mais protectora dos seus filhotes, bufa-me. Junto-o à ninhada, mas ele continua sem se mexer, apesar de ainda estar vivo.

Aproveito para juntar o "miúdo" novo às ninhadas, que, depois de ser (bem) cheirado pela Saki, acaba por ser bem aceite por todos. Apenas destabiliza um pouco o ambiente de tranquilidade geral porque não pára de miar, como se ainda não tivesse percebido que já está perto de uma família felina. Por fim, começa a mamar na Saki.

Quando termino os afazeres diários domésticos e regresso à maternidade-improvisada, o filhote tigrado da Saki já falecera, junto dos irmãos.

Não consigo deixar de sentir que poderia ter feito mais por ele e que, de alguma forma, posso ter tido culpa do que aconteceu... apesar de, por outro lado, já me ter apercebido que parecem ser as gatas-mães que, propositadamente, afastam para longe os filhotes mais fracos.

Começo a sentir-me a fraquejar emocionalmente!...
Nunca lidei muito bem com a ideia de morte, seja nos humanos ou nos animais. No entanto, depois da experiência da morte da ninhada preta/branca, começo a não conseguir sequer lidar com o facto de que tenho que ser eu própria a retirar o animal morto, embrulhá-lo e fechá-lo num saco para, mais tarde, ser incinerado...
Não é sequer uma questão de me sentir afeiçoada àqueles animais (como sucederia - sucedeu já - no caso de um animal de estimação de longa data), mas antes o ter sentido aquele pequeno ser vivo tão frágil nas minhas mãos e, de um momento para o outro, tê-lo novamente nas mãos mas morto.




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