
Mariana

Aiko
Gil e Gui
Saki
A minha primeira gata, enquanto jovem independente e emancipada (já que o primeiro gato que tive foi mesmo aos 7 anos, em casa da minha mãe), era anã, velhinha, completamente desdentada, com o pêlo áspero e sofria de problemas de rins e diabetes. Nunca se deixava pegar e apenas se aninhava no meu colo quando começou a ficar muito doente.
Viveu comigo apenas durante 1 mês, até ter tido que ser eutanasiada há 3 anos atrás.
Apelidei-a de Amélie e, para mim, era a gata mais bonita do mundo!!
Quando entrei pela segunda vez no Canil/Gatil Municipal de Lisboa, foi-me explicado que a associação de protecção aos animais que trabalha directamente em parceria com esta instituição apenas retira de lá para as suas campanhas de adopção os animais mais “bonitinhos” e que não sejam “selvagens”.
Nesse mesmo sábado, ao aproximar-me de uma cela para retirar de lá uma gata cinzenta e branca, um magote de 5 ou 6 gatos/as pretos ficou especado a olhar para mim do outro lado da mesma cela. Uma das gatas pretas esticou-se toda e com a sua pata (com as unhas para dentro) tocou a minha mão apoiada nos ferros da cela, como que pedindo ajuda para sair dali. Naquela mesma cela estavam “alojados” os supostos “gatos selvagens”.
Por mais dias que viva, é uma cena que jamais irei esquecer!
A beleza tem muito que se lhe diga, e é um conceito bem relativo para cada um de nós!
De facto, tal como cada pai ou mãe acha que o seu filho é o mais bonito e engraçado, mesmo que para o resto do mundo ele seja gordo e anafado, tenha um nariz de macaco e seja peludo; também no caso dos animais de estimação este conceito é fortuito.
Pena que nem todas as pessoas consigam alhear-se dos estereótipos de beleza criados pela sociedade em que vivemos, e continuem a transpô-los para as adopções que fazem de gatos e cães!
Porque como diria alguém que muito bem escrevia, “o essencial é invisível aos olhos”!



